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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

sábado, 30 de outubro de 2010

Identificando uma igreja sadia em meio aos escombros

Uma das grandes dificuldades de nossos dias não tem sido a de encontrar uma igreja. Diga-se de passagem que nas grandes metrópoles brasileiras, em cada esquina, podemos encontrar uma igreja e na maioria das vezes a “gosto do cliente”.

A nossa grande dificuldade tem sido de encontrar uma igreja sadia, uma igreja que esteja engajada na luta pelo Evangelho de Cristo, na busca constante pelo Reino de Deus e sua justiça (Mt 6.10,33).

Estamos em meio a tantas elucubrações humanas, vozes se dizendo representantes dos cristãos. Há muita confusão em torno do nome Igreja, tentando assim, desfigurar, dar outro tom a Igreja de Cristo. Isso tudo só tem gerado na sociedade o descrédito no lugar de trazer elucidação. Doutrinas falsas, crendices, superstições e embustes que causam um sentimento de tristeza, dor e lamento.

Há muitos escombros que precisam ser removidos para encontrarmos a Igreja com suas virtudes cristocêntricas. Uma igreja que milita a causa com autenticidade, galhardia, clareza de não se render em troca do pragmatismo circunstancial do mercado. Uma igreja que não se venda e nem negocie princípios em tempos de eleições.

Creio ser possível encontrar uma Igreja sadia em nossos dias. Existem pessoas que continuam alicerçados na Rocha que é Cristo e tendo como bandeira a mensagem do Evangelho. Mas como identificar uma igreja em tempos assim?

Gostarias de compartilhar alguns vislumbres que possam nos ajudar a identificar uma igreja, mesmo em meio aos escombros da atualidade.
1.º A valorização do Sacrifício de Jesus. É necessário observar se a igreja está focada e outorga o verdadeiro valor para o sacrifício que Jesus fez por nós na Cruz. Que lugar ocupa essa menagem? Com o pensamento humanista introduzido na igreja, o homem passou a ser o centro, mas não como alvo para salvação, mas sim para satisfação. Então a mensagem é: “você precisa fazer de tudo para ser feliz”. Nesse modelo pós-moderno de vida, vale tudo, menos a valorização do verdadeiro significado da mensagem de salvação.
Nada deve substituir o sacrifício de Jesus na cruz.  A mensagem de Paulo aos Coríntíos foi enfática: “E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado”. É pelo seu sangue que somos justificados e redimidos de todos os nossos pecados. O escritor aos Hebreus afirma: “…Sem derramamento de sangue não há remissão de pecados” (Hb 9.22). O apóstolo Pedro que conheceu bem a ignomínia da cruz de Cristo, afirmou aos irmãos a respeito do sacrifício de Cristo: “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça, e pelas suas feridas fostes sarados” (1Pe 2.24).
Sem o sacrifício de Cristo a igreja perde o sentido, o Caminho fica descaracterizado, a neblina das projecções humanas nos guia pelos atalhos sombrios, onde só há confusão e ilusão. 

2.º Comunhão com Deus através da oração. O caminho da comunhão é oração. Verifique se a igreja ora e qual o tipo de oração é valorizada. Porque existem muitas orações estranhas por ai a fora. As orações de Paulo pelos irmãos de Éfeso deveria ser feita com mais intensidade e espontaneidade em nossos dias (Ef 1.15-23; 3.14-21).
Muitas igrejas abandonaram completamente a vida de oração, sobre argumentos frágeis e insustentáveis. Já outras, tem propósitos distorcidos quanto a oração, seja genuflexo, ou de qualquer outro modo.
Jesus tinha uma vida de oração, e deixou claro pelo registro dos evangelistas que ele não tomava decisões sem antes orar. Para escolher seus discípulos por exemplo, retirou-se só e passou a noite inteira em oração (Lc 6.12-16). A Igreja primitiva avançava também sustentada também sobre o fundamento da oração. (At 2.42). Essa mesma igreja tomava decisões sob a regência da oração (At 13.1-3).
A igreja precisa está alicerçada nessa prática, tanto individual como coletivamente. Deve haver incentivo a oração, a pratica da oração, enfim, uma vida constante de oração.
3.º Centralidade das Escrituras. Uma igreja sadia tem sua origem, seus credos, seus princípios, sua liturgia e seus programas, centrados e direcionados nas Escrituras Sagradas. Algumas igrejas se tornam fracas no compromisso com a Bíblia, ficando assim vulneráveis e abertas a todo tipo de idiossincrasias, desequilibradas, oferecendo o superficial, usando de malogro que mais infantilizam do que gera amadurecimento espiritual. A centralidade nas Escrituras privará as pessoas das crendices em sal grosso para espantar mal olhado e inveja, água e rosas ungidas para resolverem problemas, sacrifícios intermináveis que tentam enganosamente substituir ou anular o Sacrifício Eterno (Hb 9.12). Hoje existe um abismo muito grande, deixado pelos ensinos medianos e as vezes controvertidos.
A Bíblia Sagrada oferece ainda, tudo o que o homem necessita para viver nesse mundo e passar por ele triunfantemente. Ela testifica de si: “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm 3.16).
A igreja está firmada sobre preceitos de sabedoria humana, ou alicerçada e firmada na Palavra de Deus? De onde vem mas diretrizes para a igreja? Abraça aquilo que a Bíblia não se pronuncia e rejeitamos aquilo que a Bíblia rechaça? Uma igreja que procura seguir as Escrituras, não se sustenta em amuletos, figuras, fábulas ou coisas parecidas.
4.º Doutrinas bem definidas. Existe uma crise doutrinária na Igreja atual, crise essa que tem desembocado um rio de miscelânea sincrética de nos deixar assustados. Um outro evangelho é apresentado sem muita resistência. É preciso identificar se a igreja crê no Evangelho ou não. A Bíblia afirma categoricamente que há pessoas que são “contrárias a sã doutrina” (1Tm 1.10).
O que direciona está na última revelação do apóstolo, do bispo, do pastor, da missionária ou sob o crivo das Escrituras? Há muitas coisas estranhas em nossos dias, tais como o que estava acontecendo na igreja de Gálatas a ponto do apóstolo dizer: “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo” (Gl 1.6,7).
Uma igreja sadia tem doutrinas que gera vida no lugar de morte, gerando pessoas sadias, transformadas e cheias de amor, pessoas a imagem de Jesus (Rm 8.29). Como disse Eugene Peterson: “A crença sem amor destrói vidas. A crença sem amor transforma o melhor dos credos em arma de opressão”.
5.º Relacionamentos sadios. É necessário observar se há incentivo para pratica do amor verdadeiro, se as pessoas são encorajadas a viver como irmãos em Cristo. Verifique se na igreja, as pessoas são apenas grupos que vivem competindo entre si, hostilizando-se ou se buscam relacionamentos verdadeiros.
Pessoas que frequentam uma igreja devem aprender a levar as cargas uns dos outros (Gl 6.2), vivendo intensamente o que Cristo nos ensinou: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.35).
A igreja não pode se caracterizar como um campo de batalha entre as pessoas, nem como uma maratona onde os competidores querem superar uns aos outros. O que deve haver como primazia é a lei do amor, conforme o apóstolo João disse: “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos, quem não ama seu irmão permanece na morte. Qualquer que aborrece seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem permanente nele a vida eterna” (1Jo 3.14,15).
Não se deixe enganar: você é responsável pelos relacionamentos que são gerados a qual você faz parte. Se há amor, misericórdia, se há compaixão, longanimidade, você é uma das pessoas responsáveis. Todavia, se há contendas, intrigas, sectarismo, divisões, dissensões, você também tem grande parcela de contribuição.
Não há igreja perfeita, mesmo porque todos nós somos estamos sendo transformados e aperfeiçoados em Cristo Jesus, mas é importante identificar o que prevalece dentro de uma igreja.
6.º Deve haver pessoas preparadas para o exercício do ministério cristão. Ninguém deveria brincar de igreja, nem montar um instituição qualquer e colocar o nome de Igreja. Existem instituições que os seus lideres não têm chamado algum, nem qualificação para o exercício do ministério. Jesus nos orientou dizendo: “Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz frutos bons, e toda árvore má, produz frutos maus” (Mt 7.16,17).
Hoje há instituições onde os lideres são tiranos, déspotas que impõem seus preceitos e normas contrárias a Bíblia Sagrada e ainda julgam-se melhores que os outros. Outros são levianos na vida pessoal, em seus negócios e diversas dimensões. Vejam por onde essas pessoas passaram e o legado que estão deixando. Uma coisa era a vida antes de Cristo, manchada por toda sorte de pecados e enganos, outra coisa é, mesmo depois de estar seguindo a Cristo, continuar mentindo, ludibriando, enganando e deixando rastros de morte, cheios de discrepância, caracterizando assim uma vida pós-Cristo e não em Cristo. A Bíblia Sagrada afirma: “Procura apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2Tm 2.15).
Quantas pessoas despreparadas e fora de posição estão tentando exercer uma chamada que não lhes foram confiadas. Pessoas presunçosas, ensimesmadas e fraudulentas, levando muitas pessoas a perdição e ao distanciamento da verdade. Aos Coríntios Paulo disse: “Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso, requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel” (1Co 4.1,2).
Como carecemos de ministros cristãos verdadeiros em todas as áreas da igreja, pessoas que tenham compromisso com a verdade. Como disse Charles H. Spurgeon sobre os obreiros: “É melhor abolir os púlpitos do que enchê-los de homens que não tem conhecimento experimental daquilo que ensinam”.
7.º Compromisso missionário. Identificar uma igreja pelo sensacionalismo, testemunhos miraculosos, ativismo religioso, entretenimentos, shows gospel, nunca será melhor alternativa. Para encontrar uma igreja sadia em meio a tantas invencionices, tendências superticiosas e crendices é preciso também observar se essa igreja está engajada em levar a mensagem de salvação e esperança aos aflitos. O comprometimento com a grande comissão (Mt 28.18-20), já é um grande sinal que essa igreja pode está indo em rumos certos. Como disse o Dr. Greg Laurie: “É importante observar que, embora aqui Jesus estivesse falando para seus discípulos, esta comissão é dirigida a toda igreja, e não apenas aos pastores, evangelistas e missionários”.
O compromisso de pregar o Evangelho e fazer discípulos, não é apenas para um “grupo” específico da igreja. Ela é para todas pessoas que são comprometidas com o Jesus.
Existe a necessidade de identificar igrejas que não estratifique o Evangelho de Cristo, uma igreja que permaneça perseverando nas Escrituras, mesmo que o pragmatismo esteja cada vez mais convidativo e sedutor.
Bem sei que existem outros pontos relevantes para identificar uma igreja sadia em meio a descaracterização cristã, espero que esses poucos aqui mencionados possam lançar um pouco de luz em meio ao obscurantismo hodierno.
Que o Senhor nos ajude a sermos uma Igreja que carrega em si as marcas de Cristo, a fim de que possamos nos apresentarmos a Ele como “…Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5.27), cumprindo o propósito de Deus para a nossa geração.
Paz seja convosco!
André Santos

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O Choro que Deus ouve

Pela segunda vez Hagar sai da casa de Abraão de forma conturbada. Na primeira vez que isso aconteceu, ela ainda estava com seu filho Ismael no ventre, fruto das manipulações de Sara e Abraão para gerar um filho que fosse, o filho da promessa. Porém, Deus visitou Hagar no deserto, a consolou e ordenou que Hagar voltasse para casa de sua senhora e se submetesse a ela (Gêneses 16.1-15).

Na segunda partida de Hagar (Gêneses 21.1ss), Deus não dá a mesma ordem, afinal, ela agora foi jogada para fora, e, continua errante no seu caminho, só que dessa vez ela não está com seu filho no ventre, mas ele já nascera, é um menino, ele está com idade entre 11 a 13 anos, e, ambos estão em uma estrada escusa, cheia de perigos, armadilhas e incertezas. Hagar desiste da vida, a única água que lhe restara findou-se, deixa o seu filho distante para não ver o fruto do seu ventre morrer sem nada poder fazer. Então Hagar chora.

Mas um fato ocorre nesse drama que não passa desapercebido, o menino também chora, brada com desespero, o medo do oculto faz a criança derramar as lágrimas da alma. A Bíblia Sagrada chama atenção para algo que ocorre na seqüência, dizendo: “Deus ouviu o choro do menino” (Gêneses 21.17).

O choro do menino é algo que se destaca, não pelo fato de uma criança estar apenas chorando, mas pelo fato do choro da criança não ter nada a ver com os choros dos adultos, ou quase nada. Vez por outra, os nossos choros são carregados de amargura, autocomiseração, mácula, justiça própria. Choros que são mais marcados pela ira do que pelo quebrantamento ou pelo clamor legítimo da alma sedenta.

Hagar certamente tinha seus motivos para ter saído da casa de Abraão, tendo em vista que sua senhora a maltratava e agora ela tinha um filho para cuidar e criar. Mas além da criança, Hagar está envolvida em um jogo de disputa, poder, paixão, herança, é um jogo de emoções afloradas, luta por conquista de um espaço que talvez nunca lhe pertenceu. É o jogo que gostamos de chamar de vida, porque a fazemos assim.

Hagar sai com seu filho, sem ter um destino certo, virou andante no deserto de Berseba. Sabe-se apenas que ela estava em desespero, foi expulsa pela sua senhora, precisa ir, mas sem saber para onde. Mãe e filho choram, choram porque na estrada da vida, ninguém é poupado das lágrimas, sejam elas justas aos nossos próprios olhos ou não. Mas a verdade linda por trás da trama é que “Deus ouviu o choro do menino”.

O choro do menino é o choro da sinceridade, é o choro de quem precisa de colo, de ajuda, é o choro do desejo de amparo, é o choro da nossa criança interior, clamando pelas necessidades reais da alma, do coração. O choro do menino representa o choro das necessidades verdadeiras, assim como cada um de nós quando choramos com o coração “rasgado” diante de Deus.

O choro de Ismael não está ligado ao sentimento ressentido pela vingança mal sucedida ou pela perca de poder, o choro dele não está atrelado ao grito daquele que chora com ira, mas sim do interior verdadeiro de cada um de nós que clama, Aba!

Ainda que canalizemos todas as nossas energias em coisas sem sentido real para a vida, o choro que está em nós é o choro do coração que precisa ser preenchido pelo amor do Deus misericordioso que não desampara os que têm um coração quebrantado e contrito (Salmo 51.17).
Quem tem um coração camuflado pelas fantasias da cosmovisão desse mundo, cheio de vaidades, disputa de poder e espaço, e não consegue se assumir como pessoa, viverá a vida com seus choros abafados pelo egoísmo e sem ter nenhum consolo.

O meu convite é para que deixemos a nossa alma chorar o choro verdadeiro, identificando que necessitamos mais e mais de Deus e não das coisas que supomos precisar. Permita que a criança interior se derrame diante do Pai dizendo: Aba, Pai!

Nele, somente Nele, somos acolhidos com amor e proteção, Ele e só Ele, é Aquele que disse: “Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus” (Mateus 18.3), Ele pode ouvir o choro secreto de nossa alma carente e sedenta.

Paz seja convosco!
André Santos

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Não podemos nos calar

Shalom!

Hoje em dia, infelizmente por causa de muitos escândalos e excessos que existem no meio evangélico, é comum ouvir, ler e fazer críticas concernentes a Igreja e ao meio evangélico de forma geral. Há uma indignação por parte de muitos que tem ecoado de uma forma ou de outra em nosso meio, e concordo, não podemos nos calar. Mas, fato é que existe um grande desconforto na sociedade com relação a questões ligadas aos evangélicos e também a grande fatia dos líderes denominacionais.

Ao meu modo de ver, precisamos filtrar o que vem acontecendo para que não venhamos colocar todos no mesmo pacote e descartar pessoas sinceras que estão lutando pela verdade, gente de Deus que acredita na mensagem de Jesus, daqueles que estão tentando enganar, extorquir, se aproveitar de uma fatia de desesperados.

É bem verdade que grande parte dos televangelistas, apóstolos, bispos e pastores tem causado um alvoroço alarmante na frente das câmeras. Exageros inescrupulosos têm assustado até mesmo os que não frequentam igrejas, basta apenas ter um pouco de sensatez para não ser ludibriado.

Infelizmente existe realmente um grupo, principalmente os lideres midiáticos, alguns dos crentes artistas, pastores "show man" que tem ajudado na tentativa da dissimulação do nome de Cristo por parte dos críticos e da impressa escrita e televisiva.

Mas como podemos ponderar as questões mais inquietantes que surgem como algo insolúvel no meio cristão? Existem critérios que precisam ser levados em conta na hora de considerar o que tem acontecido no meio Evangélico.

Os líderes mercantilistas, inescrupulosos, mercenários, etc, trabalham em cima de pelo menos quatro situações que todos estão sujeitos a serem explorados. Em primeiro lugar, incitam competitividade. Desde criança, somos incentivados a viver em um mundo de competição. Competimos nos jogos, na hora de se alimentar na escolinha para ver quem acaba primeiro, somos constrangidos a tirar notas boas, não simplesmente para passar de ano ou mostrar que aprendemos a lição. Compete-se a garota no colégio, na roda de amigos, e assim, vamos crescendo e continuamos competindo. Competimos por uma vaga no vestibular, competimos por uma boa vaga de emprego, e assim sucessivamente. Porém, existem competições que também são sadias, pois elas nos ensinam a valorizar-nos a nós mesmos. Mas de certo modo, muitos fazem dessas competições suas razões de viver. Há pessoas que levam isso tão ao pé da letra que sentem-se muitas vezes impelidas a eliminarem seus “oponentes”. Competem tanto que trazem isso para os seus relacionamentos mais íntimos, e inclusive para o relacionamento com Deus e igreja.

O escritor Philip Yancey escreve dizendo: “O gosto pela competição se espalha como uma doença[...]A competição nos cega, de modo a não vermos as coisas de uma perspectiva sóbria e distante. Ela nos agarra e aperta até que tudo em que conseguimos pensar é na vitória”.[1] E isso é uma grande realidade, e em nome da competição, muita gente aprende a pisotear outros nesse processo.

Você já deve ter ouvido algum líder vociferando que Deus vai tirar do ímpio para dar para os crentes. Que Deus vai humilhar aqueles que estão lhe perseguindo, não é mesmo? Ou que vai até matar alguém para lhe abençoar, ensinando assim que Deus prefere uns em detrimento do outros. Pois bem, tem igreja que declarou guerra contra Emissora de Televisão, dizendo eles, que esses são os maiores inimigos do povo de Deus, dando até a alcunha de Babilônia. Muitos fazem isso, usando texto do Antigo Testamento, esquecendo-se que a Bíblia relata ocasiões em que alguns povos se colocavam contra a formação e perpetuação do povo hebreu e não em coisas como emprego, faculdade, nos relacionamentos conjugais, familiares e nem muito menos entre os irmãos. Mas é incrível como em algumas igrejas as pessoas são incitadas o tempo inteiro a competir, a ver sempre o outro como opositor e oponente. Pelo contrário, devemos aprender a sermos humildes como Cristo assim o foi, e, a Bíblia Sagrada nos diz: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros, tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus "(Fp 2.3-5).

Essas palavras do apóstolo Paulo, precisam serem levadas a sério em todas as questões, porque igrejas que trabalham em cima de competitividade, são alimentadas por essas visões de batalha, o que configura todos contra todos.

Em segundo lugar, aguçam a ambição. É interessante porque muitas pessoas acabam confundido sonho com ambição. Sonhar não é proibido, pelo contrário, os sonhos nos alimentam o espírito, nos dão sentido para a caminhada. Alguém já disse que viver sem sonhar não é viver. Realmente, mas quando os malabaristas da fé, tentam dar a essas ambições, nome de sonhos, as pessoas se dispoem a tudo, afinal de contas, quem está falando, o está fazendo, em nome de Deus. Muitos usam a Bíblia para gerar nas pessoas sentimentos que elas nunca tiveram. Concordo que existem pessoas que precisam ser estimuladas a sonhar, mas não a ambicionar.

Ligue a Tv e você verá os testemunhos mirabolantes daqueles que se dizem ter felicidade e paz. Começa normalmente assim: “quando eu vim para igreja tal, morava de aluguel, andava de ônibus ou a pé....mas depois que vim para igreja tal...”(ai vocês já sabem o resto). Desse modo, meia dúzia de gente que já tem o coração dobre, ouve essas coisas, imediatamente já querem saber qual a receita “mágica” para tal mudança radical. Ora, normalmente isso é fruto de trabalho, autodisciplina, mão de obra qualificada e objetivos bem traçados. Mas não, transferem isso para uma dimensão espiritual que causa desdobramentos inimagináveis.

Nunca podemos esquecer que Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado, e lá, ele foi tentado pelo diabo, que usava a própria Palavra de Deus para dissuadi-lo do seu propósito maior (Mt 4.1-11). E aqui, cabe a seguinte observação, não é porque estão usando a Bíblia, que não possam estar gerando nas pessoas sentimentos distorcidos e pervertidos. A Bíblia Sagrada diz: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz” (Tg 1.13,14). E nada que uma forcinha por parte dos mercadejadores da fé, não possa ajudar, ensinando as pessoas a despertarem não o “...o novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3.10), mas sim, o homem caído, que ama esse mundo e sua beleza. Aguçam nas pessoas sentimentos, que talvez nunca tiveram, e passam a alimentar desejos perniciosos e destruidores.

Em terceiro lugar, exploram as mazelas da vida. Todos nós temos mazelas na vida muito difíceis de se lidar. Passamos por processos dolorosos e muitas vezes desgastantes em meio ao caminho que percorrermos. Muitos estão passando por necessidades emocionais tão atordoantes que o coração está completamente dilacerado. É comum vermos pessoas que chegam ao desespero, apelando para os curandeiros, cartomantes, gurus, prognosticadores e os promotores da má fé.

Porque promotores da má fé? Porque usam as mazelas da vida para as explorar. Há pessoas que já bateram em tantas portas que podem ter certeza, normalmente o último lugar que vão é a igreja. Chegando lá, elas estão dispostas a fazerem o que for necessário para resolver seus problemas mais indesejáveis. Lécio Dornas disse: “Fugir dos problemas é sempre a nossa maior tentação. Aliás, o que não falta hoje em dia são propostas que apelam ao coração humano dizendo: Pare de sofrer! Você não precisa ter problemas! Temos algo que vai fazer você nunca mais verter uma lágrima”.[2] Nessa hora entra em cena esses que se aproveitam da desgraça alheia para sugar-lhes o dinheiro, a boa fé, o tempo, até mesmo a vida, enfim, tudo o que podem. Prometendo soluções imediatas, para causas na justiça, “portas de empregos”, dores de cabeça e outras tantas mazelas.

Exploram o máximo que podem com discursos cheios de técnicas psíquicas, revestidos de uma teatrialização gospel, show de pirotecnia e manipulação emocional. Porém, o apóstolo Pedro, já, a muitos séculos atrás alertou dizendo: “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade. Também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme”(II Pe 2.1-3).

É necessário voltar-se para Bíblia, examinar nas Escrituras para ver se realmente o que está sendo dito tem coerência, ou está dissimulando o Caminho Santo, porque muitos estão desatordoados no caminho, sem nenhuma direção porque deram ouvidos a tantas coisas que no lugar de consolar, trouxe mais sofrimento e tristeza.

Em último lugar, colocam-se na condição de sacerdotes. Aqui existe um risco muito grande e ao mesmo tempo, é um assunto bem difícil de trilhar, pois muitas pessoas confundem o ministério pastoral com ministério sacerdotal. Ainda que um pastor seja um ministro de Deus, para ministrar as pessoas através dos dons ministeriais que lhe foram conferidos pelo próprio Jesus, um pastor, só é sacerdote dele mesmo, ou na condição de igreja que intercede pelo mundo e anuncia as Boas Novas de Jesus (I Pe 2.9). Porque o papel de sacerdote no período da Lei, era representar o povo diante de Deus, oferecendo sacrifícios pelos pecados. Já no Novo Testamento, através do Sacrifico feito por Jesus na cruz do calvário cada cristão individualmente, é um sacerdote. O Escritor aos Hebreus escreve: “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hb 10.19,20). Cada pessoa tem autoridade, conferida pelo sangue de Jesus, a se apresentar diante de Deus, humildemente em oração e súplicas em favor da sua vida.

Os líderes fraudulentos se colocam entre Deus e as pessoas, dizendo assim serem eles o intermediário para a solução dos problemas alheios e que Deus, jamais vai ouvir a pessoa que se coloca diante Dele por si só. Assim, se aproveitam da ingenuidade de alguns e da esperteza de outros, que preferem não gozar de comunhão com o Senhor, pois existe entre eles e Deus alguém que pode representar-lhes, sem que ele ou ela, tenha necessidade de mudar de vida. Por isso, ambos tem parte nesse negócio. É o ditado antigo que diz: “Você finge que me engana que eu finjo que acredito”. Com isso, o importante é que meus desejos sejam realizados, sem que haja mudanças.

As pessoas precisam ser libertas dessas correntes religiosas que manipulam e escravizam, em nome de personalidades pecadoras que se colocam entre Deus e os homens, atraindo para si glórias que nunca lhe foram conferidas. Não se deixe enganar, não existe outro mediador entre nós e Deus, se não, “Jesus Cristo, homem” (I Tm 2.5), e essa verdade deve ser libertadora para aqueles que desejam viver uma vida cristã longe das fraudes em nome do Evangelho.

Quero sinceramente que esse quadro mude e que a Igreja de modo geral, possa se posicionar com muitas vozes, contra toda essa picaretagem em nome da fé. Hoje existem muitos meios de comunicação que podem somar-se ao grito de chega, que está multiplicando entre a Igreja de Cristo.

Paz seja convosco!

André Santos




[1] YANCEY, Philip e STAFFORD, Tim. Desventuras da Vida Cristã, Editora: MC, p.39.40.
[2] DORNAS, Lécio. Ganhe Com as Perdas. Ed. Mk, p. 11.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Qual tipo de linguagem estamos usando?


Shalom!

Tenho refletido sobre a linguagem que temos a cada dia usado para nos dirigirmos às pessoas dentro e fora da igreja. Fico me perguntando, será que realmente temos falando de forma que elas possam entender? A cada dia percebo que essa linguagem está mais caracterizada com uma falsa esperança revestida de uma religião pragmática.

Estamos usando um linguajar que no lugar de ajudarmos as pessoas, estamos às vezes as confundindo mais. Uma forma de falar que, no lugar de atrairmos, acaba levando as pessoas para longe da verdade. A Teologia da Prosperidade ganhou espaço e irrompeu com força dentro das igrejas cristãs. Ela tem sido difundida com promessas e mais promessas imediatistas que se realmente fossem verdade, todos os simpatizantes do evangelho já estariam com a vida completamente resolvida.

Já tinha parado algumas vezes para rever meus conceitos, desde que havia ingressado no seminário, porém uma das coisas que mais me fizeram refletir sobre os males causados por essas promessas imediatas e frases sem conexão com a realidade, foi em um culto, onde estávamos reunidos e alguém disse para uma irmã: Hoje é o dia da sua vitória. Ao findar o culto, ela me procurou e perguntou o que realmente era a vitória? Eu lhe respondi que depende e muito. Então ela, que havia sido abandonada pelo esposo, que lhe deixara, com dois filhos para criar, me disse: “Para mim a minha vitória é o meu esposo voltar para casa”! Confesso que as suas palavras me comoveram e me despedaçaram. E realmente o esposo não voltou, pelo menos por aqueles dias.

Acredito que seria vão tentar explicar para uma mulher completamente ferida pelas circunstâncias da vida, que Deus queria ensiná-la alguma coisa nesse sofrimento, porque na verdade, à priori, não era isso que ela precisava ouvir. E seguindo a Bíblia, seria mais correto chorar com os que choram.

Já estive conversando com muitas pessoas que estão vivendo uma crise existencial por causa de frases decoradas repetidas por alguns cristãos, palavras sem sentido, promessas irreais e falsas esperanças. Pessoas que foram abordadas por supostos “animadores” que na verdade, causaram mais confusão no lugar de dar orientação, duvida no lugar de esclarecimento, fardo no lugar de alivio, maldição no lugar de benção.

Acredito que precisamos ser mais francos com as pessoas e dizermos para elas que a vida é difícil e que enquanto não passarmos dessa vida para a outra, não haverá descanso nas labutas, não faltarão desencontros, mas a Boa Notícia é que nunca estaremos sós, Jesus de Nazaré estará conosco nessa jornada.

Precisamos “desmecanizar” o nosso linguajar para um linguajar mais apropriado para a vida e ainda mais, sermos a verdadeira expressão do amor de Deus. Encarnar as nossas palavras. As pessoas não são parte de um processo que deveria ser mecanizado e nem são uma parte do processo que envolve as nossas vidas em particular. Não! As pessoas são o processo em si mesmo. Por esse motivo elas precisam entender o que estamos dizendo. Não podemos ignorar o fato que as pessoas são o alvo da cruz de Cristo. Foi pelas pessoas, isso mesmo, por gente, que Jesus deu a sua vida na cruz do calvário.

Para isso precisamos entender que estamos lidando com pessoas que tem necessidades, objetivos, frustrações, decepções, dúvidas, encantos, sonhos e idéias. Então, devemos usar uma linguagem do cotidiano, uma linguagem inteligível, sem abstrações. Eugene H. Peterson, diz que às vezes usamos uma linguagem propagandeira, que mais parece esta direcionada a um público desconexo. Ele diz: “É uma linguagem apropriada para multidões de desconhecidos, mas de utilidade duvidosa para transmitir um conteúdo pessoal...”.[1]

Penso que a maioria das pessoas que vão as nossas igrejas acham que nós não somos seres humanos, que não enfrentamos problemas, dificuldades, tentações, desilusões, dores e sofrimentos. Alguns filósofos do passado chegaram a insinuar que a religião no lugar de ajudar as pessoas, as infantilizava. Em vez de ajudar as pessoas a enfrentar a realidade com galhardia, transfere isso apenas uma esperança ilusória.

Como cristãos que somos, devemos nos despir da sabedoria desse século, das frases desconexas com a realidade, do ufanismo religioso que estamos imersos, da vulgarização do sagrado, da linguagem imediatista e ilusória para uma linguagem mais humana e realista, como Jesus o fez. Podemos fazer o que a Bíblia Sagrada nos propõem, usar a linguagem que Jesus usou. E, Paulo deixa isso bem claro, quando diz: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fp 2.5-8).

Qual é a proposta? Jesus se humanizou. E nós também precisamos usar uma linguagem mais humana, que saiba lidar com as aflições e as desventuras das pessoas. Sem circunlóquios e sem emendas, sem falsas esperanças e sem ilusões, sem imediatismo e embustes.

Qual o tipo linguagem estamos usando? Uma linguagem bem distante da realidade das pessoas do nosso século, impregnada de fantasias ufanista.

Qual a linguagem precisamos usar? Uma linguagem de gente para gente, de pessoa para pessoa, que encaram a vida como Jesus encarou e não fugiu de nenhum dos dramas que a humanidade enfrenta, nem do seu tempo nem do nosso. Jesus levou as pessoas a sério. E, até os dias atuais, os sofrimentos não mudaram, mas o mesmo Jesus se compadece de todos dizendo: “...Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33).


Paz seja convosco!

André Santos



[1] PETERSON, Eugene H. A Maldição do Cristo Genérico, São Paulo, Ed. Mundo Cristão, 2007, ps. 255,256.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Uma Viva Esperança

Shalom!

Os dias em que vivemos são dias de tensas crises. Fala-se muito em crise financeira, porém, existe uma forte crise existencial que atingiu não somente a nossa existência quanto pessoa, mas também, a nossa existência quanto igreja.

A desconstrução e construção da fé têm acontecido de forma tão conjunta que muitos estão abatidos, achando não haver mais esperança. A bem da verdade é que as máscaras da teologia da prosperidade tem caído, e já não é qualquer um que engole mais os discursos cheios de fantasias e presunções.

A muito, o Pentecostalismo e alguns dos reformados, acabaram cedendo espaço para que muitas aberrações invadissem o Evangelho, fazendo uma mistura terrível e assustadora. Sincretismos religiosos, apetrechos, e tantas e tantas coisas foram sendo empurrados goela abaixo. Hoje, há muitas pessoas frustradas sem conseguir enxergar um palmo à frente na vida espiritual, confundido denominações com o genuíno Cristianismo, pastores com mercadejadores da fé e Jesus com Césares, que davam “pão e circo” para o povo.

Nesse tempo, é bom lembrar o que o apóstolo Pedro escreveu para os irmãos que estavam vivendo dispersos por diversas regiões devido à perseguição aos cristãos por conservarem a fé verdadeira em Jesus enquanto outros adoravam os imperadores-deuses, quando disse: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (I Pe 1.3).

Essa viva esperança mencionada por Pedro é que nos faz conservar na verdade em tempos assim. Mesmo enfrentando tribulações, privações e provações, a esperança, se manifesta de forma mais intensa em tempos assim, de dificuldades e infortúnios.

No outro lado, está uma esperança morta, porque faz com que as pessoas se rendam as chavões da fé, que enganam, aos encantamentos, as fábulas que tem poder momentâneo carregados de eufemismo. Uma esperança morta faz com que as pessoas busquem desesperadamente prosperidade nas mega-campanhas que prometem mundos e fundos em troca de ofertas financeiras exorbitantes. Uma esperança morta faz com que as pessoas vivam o ministério da carne, buscando a satisfação imediata dos seus apetites e das suas cobiças.

Mas Pedro alertou que aqueles que estão enfrentando dificuldades e privações estão para além desses entraves. Sim! Ele disse que Deus nos regenerou para uma “viva esperança”. Essa viva esperança nos faz entender que no meio do caos, Deus continua sendo Deus. Que a semente da autentica fé continua produzindo raízes e frutificando nos corações daqueles que Jesus chamou de “boa terra” (Mt 13.23).

Uma viva esperança tem consciência que a despeito dos mercadejadores da fé, ainda existem profetas de Deus que ousam a clamar nos desertos. Uma viva esperança nos faz lembrar que Jesus não ofereceu privilégios aos seus seguidores e nem prometeu que o seu Reino era daqui. Pelo contrário foi pronto em afirmar: “meu Reino não é desse mundo”. Ele nos ensinou a ressignificar a vida a partir dos princípios do Reino de Deus, um Reino de paz, justiça e alegria no Espírito Santo.

Que nesse tempo onde o vento tem “soprado” sobre a Igreja, possamos manter essa viva esperança ardendo em nossos corações, pedindo que o Espírito Santo nos dê discernimento no meio dos furacões que tem arrastado muitos a uma esperança morta e abraçarem o ministério da carne.

Uma viva esperança será notória naqueles que realmente foram regenerados pelo Deus Pai, de nosso Senhor Jesus Cristo.

Paz seja convosco!

André Santos